FUNDAMENTAÇÃO

A rápida evolução da Inteligência Artificial (IA), em particular dos modelos de linguagem de grande dimensão, está a transformar a forma como os médicos acedem à informação, organizam o trabalho clínico e comunicam com os doentes. No contexto dos cuidados de saúde primários, multiplicam-se as ferramentas capazes de sintetizar evidência científica, apoiar a redação de documentos clínicos e administrativos, simular cenários de comunicação e auxiliar a aprendizagem ao longo da formação médica. Muitos internos de Medicina Geral e Familiar (MGF) já utilizam, de forma espontânea, estas ferramentas no estudo, na preparação e nas consultas, frequentemente sem enquadramento pedagógico ou discussão estruturada sobre riscos e limitações.

Em paralelo com estas oportunidades, emergem desafios relevantes: proteção de dados pessoais e sigilo profissional, risco de enviesamentos algorítmicos (bias), “alucinações” de modelos de IA, dependência excessiva da tecnologia e indefinição de fronteiras de responsabilidade profissional. Torna-se, por isso, essencial promover uma formação específica que capacite os internos de MGF da região de Lisboa e Vale do Tejo para uma utilização crítica, segura e eticamente responsável da IA, tanto na consulta como no internato.

O presente curso curricular obrigatório da Coordenação do Internato de MGF de LVT pretende, assim, oferecer um espaço estruturado para explorar, experimentar e discutir ferramentas de IA aplicadas à prática clínica e ao trabalho formativo, articulando demonstrações práticas, exercícios orientados e reflexões éticas, de forma alinhada com os princípios da Medicina Geral e Familiar e com a realidade dos cuidados de saúde primários em Portugal.

OBJECTIVOS EDUCACIONAIS

Ao concluir o curso, os formandos deverão ser capazes de:

  1. Fundamentos de Inteligência Artificial, Machine Learning e Automatização. Mitos e Factos.

  2. Formular prompts específicos e seguros, adaptados à realidade da consulta de MGF e do internato.

  3. Compreender o que são modelos de linguagem com Inteligência Artificial e o seu potencial na prática assistencial e não-assistencial de Medicina Geral e Familiar

  4. Integrar, de forma crítica, ferramentas de IA nos diferentes momentos da consulta, preservando sempre a autonomia clínica e a relação médico-doente

  5. Reconhecer riscos e limitações da IA, nomeadamente no que respeita a confidencialidade, proteção de dados, enviesamentos (bias), “alucinações” e responsabilidade profissional.

  6. Mini-tarefas de aplicação da IA na prática de MGF, adequada ao contexto dos cuidados de saúde primários., a resolver durante o período entre as duas sessões de formação.